Quando era uma moça de tenra idade, lembro-me de ver uma série televisiva Uma Casa na Pradaria, coisa parva, eu sei, mas vem no seguimento do post anterior...
Numa das minhas habituais incursões por Harajuku, entre lojas, montras e multidões... Dei por mim atrás destas duas moças.
Claro que pensei em várias coisas: para além de "Porquê senhores, MAS PORQUÊ?!" ocorreu-me o tal pensamento que levou-me de volta aos velhos tempos em que tinha uma televisão e que de facto via qualquer coisa a uma hora certinha todas as semanas.
Digam lá que as senhoras não parecem que vão voltar para uma casinha lá no monte, arregaçar as mangas e limpar a casa à luz de vela! Não sei é porque é que vestiram a roupa de ir à missa...
A moda chama-se "Sweet Lolita" (Ah pois, porque existem variados tipos de moda Lolita!) e vai de encontro ao gosto que os Japoneses têm pela aparência e comportamento extremamente jovem.
Harajuku é díficil de definir.
Segundo o meu amigo wikipédia:
Every Sunday, young people dressed in a variety of styles including gothic lolita, visual kei, and decora, as well as cosplayers spend the day in Harajuku socializing. The fashion styles of these youths rarely conform to one particular style and are usually a mesh of many...Daí a minha expressão de "ver os maluquinhos", porque o esta zona é rica em "arte abstracta"!
E embora haja muito a dizer sobre as espécies estranhas que habitam Harajuku...

Eu queria MESMO era dizer duas coisas.
Mais precisamente, fazer uma afirmação directamente copy pasteada do wiki, E AINDA deixar um conselho...
O conselho que vos deixo meus amigos... É muito simples, e já o sabia de Portugal!
Há largos anos que é uma pérola da sabedoria: ir a um centro comercial ao domingo a tarde é má ideia.
Pior ainda, é ir a Harajuku.
Labels: Japan, Weird Shit
(add caption: But everyone else thinks you are an idiot)
Qual é a coisa qual é ela...
Que anda aos pares
Bate bate, mas nunca entra...
Poisé juventude! Tive a minha primeira experiência Jeóvana em terras Japoneses!
(Nem aqui uma pessoa está safa!)
Andava eu na rua, acabadinha de sair da estação de correios...
Eis que surge uma velhota ao meu lado... E olha para mim.
Agora, chamem-lhe defeito ou feitio, mas quando alguém olha para mim, das duas, três:
não faço nada; pergunto se querem levar duas chapadas para verem melhor ou o mais comum: costumo sorrir. Acho simpático. Fofinho até.
No Japão ninguém distribui sorrisos a torto e a direito, mas também não é costume olharem directamente, olham de lado e se olhas de volta desviam o olhar...
Sorri.
Foi o suficiente para que a senhora começasse a falar comigo! Não percebi metade claro está, e disse-lhe que não estava a perceber, e então a velhota vai à sua mala sacar de qualquer coisa... Pergunta-me o nome, o que faço e que língua falo... E tumba, dei por mim e já tinha o mítico livrinho na mão, virado para a página escrita em Inglês...
Fui Jeováda. POR UMA VELHOTA! Damn.
THE END IS NEAR!

Ah ja agora, aquilo no início era uma anedota...
Qual a semelhança entre os tomates e as testemunhas de Jeová?
Ok, era escusado, desculpem lá.
Faz uns bons 6 meses que um colega tentava elucidar-me sobre o modo de ser Japonês... Hoje decido partilhar a história.
Explicava-me que se analisar toda a cultura Japonesa, veria que é intrinsecamente diferente da ocidental. Pedi-lhe um exemplo prático.
Perguntou-me que histórias é que tinham acompanhado a minha infância... Recordei a história dos 3 porquinhos, do capuchinho vermelho, e uns filmes Disney. Certo é que sempre me foi incutido um sentimento de "o bem vencerá" e "amor eterno" e sofrimento curto que rapidamente dá lugar ao "happy ever after".
Perguntou-me se acompanho algum tipo de programa Japonês, ao que respondi que já vi o Doraemon! Mas pelos vistos esse não conta, referia-se a séries para os mais velhos...
E ele prosseguiu com a sua exposição: em cenários Japonêses, as personagens passam imenso
tempo sozinhas a pensar na sua vida. Há uma eterna luta interior entre aquilo que querem e aquilo que de facto têm. Mas é isso mesmo, uma luta interior. Existe uma certa resignação. Não haverá personagem que não tem uma história de vida traçada pela desgraça, ou morreram-lhe os pais, ou mataram a namorada, mas a personagem em vez de tentar ultrapassar o trauma, pensa diariamente no seu malfadado destino, porque foi essa a vida que lhe foi dada e é essa a vida que terá de viver, e mai nada! O conceito de procurar a sua felicidade nem entra muito na questão...
Eu claro está, acho isto uma visão demasiado estreita da coisa, mas... Alinhei na conversa.
Até que umas sem
anas mais tarde vi um trailer para um filme: Hachiko, a Dog's Tale.
Ora bem, o filme, americanisse de gema, até o Richard Gere mete, não tem muito a ver com a realidade que dá aso ao "based on a true story..."
Porque a verdadeira história decorreu aqui em Tóquio, pouco depois da II Guerra.
E eu conto-vos a coisa assim de rajada:
Era uma vez um professor universitário que tinha um cão, de seu nome Hachiko. Todas as manhãs o Hachiko acompanhava o dono até a porta. E todas as noites, após o trabalho, o cão esperava pelo dono na estação de comboio e iam os dois para casa. E assim era todos os dias. SIM, TODOS OS DIAS. As pessoas achavam interessante esta amizade que existia entre o homem e o seu melhor amigo.
Mas... Certo dia, o professor não regressou. Sofrera um ataque fulminante. O Hachiko foi entregue a familiares. Mas o cão habitualmente escapava e ia todas as manhãs à casa do antigo dono, para acompanhá-lo como era hábito. Mas o professor... Já não vivia lá. Pelos vistos o Hachiko depois de umas tentativas falhadas percebeu isso mesmo e então passou a escapar dos seus novos donos todas as noites, altura em que ia esperar o professor à estação de comboio, como sempre fizera... Mas dono, nem vê-lo.
E todas as noites, à mesma hora, o Hachiko voltava à estação de comboio, para receber o dono.
E todas as noites em vão, afinal de contas quem morreu não anda de comboio.
Agora o Hachiko começou a atrair a atenção de outros utentes, que sempre assistiram ao reencontro entre o cão e o dono, e agora ficavam comovidos com a vigília do animal. Começaram a trazer-lhe comida e outras delícias para que ele se sentisse melhor na sua espera.
E assim continuou durante 10 anos, em que todas as noites, à hora de chegada do comboio, o Hachiko ia esperar pelo dono.
DEZ ANOS
O caso ganhou notoriedade e rapidamente o Hachiko tornou-se numa sensação nacional.
A sua lealdade para com o seu dono impressionou o povo Japonês, que viu no pequeno cão um sentido de lealdade para com a família que todos faríamos bem em ter. Pais e professores usavam-no em histórias para os mais pequenos, como um exemplo de dedicação a seguir.
E assim foi que a o fiel Hachiko passou a ser um símbolo nacional de lealdade.
Agora, acho que esta história revela de facto bastante sobre a cultura Japonesa, mas disso isso ao critério de cada um.
O que é certo, é que todo o Japonês conhece a história do Hachiko, e na estação onde o cão esperava existe uma estátua em sua honra. É certamente o local de encontro mais conhecido em Tóquio, onde diariamente milhares de pessoas esperam por alguém, (esperemos que tenham mais sorte!)
Para quem vem ao Japão, não combinem encontrar alguém no Hachiko às 7 da tarde de uma sexta... Garanto-vos que é um feito quase impossível tendo em conta a quantidade de gente que por lá se encontra com o mesmo pretexto...
And now for something completely different!
Ora bem, para quem não sabe, um dos grandes dilemas que assola a alma de estrangeira no Japão é... Uma questão capilar.
Primeiro, cabelo Japonês e cabelo não Japonês têm grandes diferenças... Não me perguntem quais são, mas consta que têm o cabelo mais grosso e que em termos de variação de cor natural, há uns 4 tons que ocorrem naturalmente.
E assim, assustadíssima com as histórias de horrores e terrores que fui encontrando através de pessoas e das internets, fui adiando uma ida ao cabeleireiro, afinal de contas, não queria acabar com um look destes...
Fui pintando o cabelo em casa, e lá me ia safando... Mas após uns quase 9 meses sem ver uma tesoura, o meu cabelo estava pronto a parir uma desgraça.
E lá comecei a minha procura frenética por um cabeleireiro que não tivesse preços altíssimos e que... Tivesse alguém que fala Inglês, porque senão seria lindo de morrer... Mas mesmo de morrer, morte a sério.
E assim foi, pesquisei um bom bocado, comparei preços e outras iguarias e uma tarde destas, com um folha a4 na mão, com o mapa impresso, lá me meti pelas ruas de Omotesando á procura do santo Graal... E voilá
Encontrei o ultra cobiçado local onde os "estranjas" arranjam as "franjas" :)
Com direito a stylist Japonesa fluente na língua de Shakespear, graças a 10 anos a viver em Londres, cortei um bom bocado da juba, porque já estava uma fera autêntica...
Para quem não sabe, como todo o serviço Japonês, esta gente esmera-se...
Quando pagas um corte de cabelo... Levas com uma massagem na cabeça e no pescoço.
Recomendo vivamente e é mais barato do que parece (tendo em conta a norma Japona isto é... Porque se querem bom e barato, não há nada como a Laurinda em Braga: com 17 euros ela corta-te o cabelo, pinta, estica e se fores simpática ainda te pinta as unhas!) Labels: Japan, Mulherices, My Life
Aie vidas, não foi desta :/ :(Não faz mal, vou continuar a esticar os braços,
Chegará o dia em que não me escapas..!
Yes I Can, Yes I Can, Yes I Can, Yes I Can...
But if you think it, want it, dream it, then it's real.
You are what you feel.”
(Xiuu...É Segredo...)
E um grande MUUUAHHH para a mãezinha que faz hoje 22 anos!

Pois parece estranho que tenha uma filha mais velha do que isso, mas...
A minha mãe é assim, uma fonte de juventude e alegria :D*)













